Caminhada pelos Vales dos Desejos

domingo, 3 de agosto de 2014



Sozinho ele caminhou pelos Vales do Desejo. Rochas se mesclavam com trechos de terra úmida, onde grama suave se exibia sob um céu de excessivo azul. O rio corria alegre, com sua voz suave a se destacar no silêncio do lugar. Ele seguia devagar, observando a beleza do mundo, tomando cuidado para não se encantar. Com a bagagem às costas ele andava resoluto, disposto a vencer todos os quilômetros daquele vale.


À noite ele se estendeu no chão. Sozinho ele aproveitou o calor da fogueira, e sozinho ele sonhou sob as estrelas, não sem antes passar horas e mais horas pensando na dança dos deuses. "Que tipo de piada é essa?", ele se perguntava. "Qual a lição nisso? Será que os deuses precisam tanto dar risadas às minhas custas?".

A alvorada o despertou, e logo a caminhada foi retomada sob o céu primaveril. Sozinho ele respirou os vapores do desejo, tendo em mente espessa cabeleira negra e beijos em boca de lábios grossos. Riu ao lembrar de sorrisos tolos, alegrias passageiras que aqueceram seu peito por dias coloridos. Fechou os dedos com força ao redor do cajado, numa mistura de saudade e frustração, sentindo a pele da mão se ferir na madeira.

Sozinho ele atravessou os Vales do Desejo, e sobreviveu. Sozinho ele enfrentou a promessa de calor, e sozinho ele esperaria até o inverno chegar novamente.
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03/08/2014


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